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Canadá apela a resolver diferendo comercial com EUA

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O Primeiro-ministro canadiano Justin Trudeau (direita) aperta a mão ao Presidente Emmanuel Macron durante um encontro no seu gabinete em Parliament Hill em Ottawa, Ontario, Canadá. 06 de Junho de 2018. REUTERS/Chris Wattie

Antes da cimeira do G7, os seis parceiros dos Estados Unidos no seio do grupo dos sete países mais industrializados do mundo, preparam-se para enfrentar o Presidente Donald Trump e a sua política do "America First", agora traduzida em actos, que segundo os analistas poderá resultar numa guerra comercial entre Washington e os seus aliados canadianos e europeus.


No decurso de uma conferência de imprensa conjunta com o Presidente Macron, o Primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau realçou que o aumento das taxas alfandegárias por parte dos Estados Unidos,corre o risco de não só prejudicar os seus parceiros comerciais ,mas também os próprios trabalhadores americanos.

A recente decisão tomada pela Administração Trump de aumentar as taxas para as importações de alumínio e aço nos Estados Unidos, tem desencadeado uma crescente tensão entre Washington e os seus principais parceiros comerciais.

No seio do G7, os seis países do grupo criado em 1975 sob iniciativa, nomeadamente do antigo presidente de França, Valèry Giscard d'Estaing, o Primeiro-Ministro canadiano Justin Trudeau cujo país é fortemente visado pelas medidas tomadas por Donald Trump tem reagido ao que ele qualificou de medidas inaceitáveis, por parte da vigente administração americana.

Um dia antes da cimeira do G7 que decorre em Charlevoix, na província canadiana do Quebecq, o Primeiro-ministro Trudeau que acolhia o Presidente Emmanuel Macron em Ottawa, voltou, no âmbito de uma conferência de imprensa conjunta com o chefe de Estado francês, a apelar para que os Estados Unidos adoptem uma postura razoável ,de forma a resolver o diferendo comercial resultante do aumento das taxas de importação do alumínio e do aço.

Justin Trudeau . 07 06 2018 Ottawa 07/06/2018 ouvir

"Como já afirmei por várias vezes, através do país, no decurso de encontros com trabalhadores das indústrias do alumínio e do aço, o nosso governo vai apoiá-los.

Mas eu sei também que os nossos compatriotas esperam que resolvamos esses diferendos, que possamos demonstrar ao Presidente americano que as suas medidas inaceitáveis estão a prejudicar os seus próprios cidadãos.

Tratam-se de empregos americanos que serão perdidos, por causa dos Estados Unidos e da actual administração Trump.

Muitos nos Estados Unidos pressionam fortemente, para que seja posta de parte a ideia ridícula, segundo a qual o Canadá, a França e os países da NATO podem representar uma ameaça para a segurança dos Estados Unidos,quando na realidade nós somos os melhores aliados e amigos, que os Estados Unidos têm desde há muito tempo". (Justin Trudeau)

Embora a cimeira anual do G7 sirva apenas de plataforma de contactos entre os membros dos sete países mais industrializados do mundo, em Charlevoix nos dias 8 e 9 de Junho, Justin Trudeau, bem como Emmanuel Macron e Angela Merkel tencionam demonstrar ao Presidente Donald Trump, que é no interesse de ambas as partes apagar o rastilho, já aceso, de uma futura guerra comercial entre aliados.

Emmanuel Macron, na véspera da abertura da cimeira do G7, sete países mais industrializados do mundo, numa conferência de imprensa conjunta com o primeiro-ministro canadiano Justin Trudeau, prometia firmeza em relação ao líder americano após a adopção por Donald Trump de novos direitos alfandegários para os estratégicos sectores do aço e do alumínio.

Emmanuel Macron, presidente francês 07/06/2018 ouvir

"A nossa vontade comum é chegar-se a um texto que seja assinado por todos, logo pelos sete.

Mas a vontade em assinar um texto a sete não deve ser mais forte que a nossa exigência sobre o conteúdo deste texto.

Acho que cometeríamos um erro se disséssemos "Estamos dispostos a abrir mão de tudo: aplaudir quando há um acordo em Paris sobre o clima ou sobre o comércio.

Tudo isto para ter sete signatários.

Porque nessa altura esvaziaríamos este G7 do seu conteúdo e da sua pertinência.

Portanto é necessário que não nos proibamos, por uma questão de princípio, de adoptar um figurino de 6+1.

Se se diz que o presidente Trump se está nas tintas para isso, talvez... Mas, antes de mais, ninguém é eterno.

Ou seja os nossos países e os compromissos que assumimos ultrapassam-nos.

Há também uma continuidade do Estado que está no seio do direito internacional.

Será também o caso dos Estados Unidos da América como de todas as demais grandes potências ou grandes países." (Emmanuel Macron)