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Arménia: Nikol Pachinian apela para greve geral

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O líder da oposição, Nikol Pachinian durante o seu discurso ao Parlamento em Erevan. 01 de Maio de 2018 REUTERS/Vahram Baghdasaryan/Photolure

Desde 13 de Abril que a Arménia, ex-Republica soviética, está mergulhada numa crise política sem precedentes que resultou em 23 do mesmo mês na demissão de Serge Sarkissian, eleito uma semana antes pelo Parlamento. Sarkissian que tinha sido presidente da Arménia durante 10 anos, manter-se no poder foi acusado de querer manter-se no poder.


O antigo jornalista e líder da oposição, Nikol Pachinian era o candidato único ao posto de Primeiro-ministro. A eleição de Nikol Pachinian ao cargo de Primeiro-ministro, de acordo com Tigran Yegavian, jornalista e especialista da Arménia, poderia ter sido um acto histórico, que demonstra a maturidade da população arménia.

Chefe dos opositores que em 2008 contestaram a eleição de Serge Sarkissian à presidência da Arménia, Nikol Pachinian promete lutar contra a pobreza e a corrupção endémica no seu país. Preso meses depois das manifestações de 2008 que provocaram vários mortos, Nikol Pachinian foi libertado em 2011.

Partidário de um novo modelo de gestão política e da vida pública na Arménia, Pachinian deseja uma mudança no seu país e afirma estar pronto para assumir as funções de Primeiro-ministro.

De acordo com o politólogo Hakob Badalian,o ex-jornalista desta vez optou por apelar para a implicação da sociedade no processo de mudança. Pachinian que tinha 13 anos quando a União Soviética foi dissolvida, tenciona encarnar uma nova geração de arménios, pós-União Soviética, de modo a implementar reformas, tanto políticas como económicas, no país de 2,9 milhões de habitantes.

Segundo o analista Tigran Yegavian a ocasião de uma mudança histórica no destino político da Arménia, não implica uma ruptura na aliança estratégica que Erevan mantém nomeadamente com Moscovo,cujos dirigentes acompanham a situação na ex-república soviética.

A crise política na Arménia,de acordo com Yegavian, demonstra também a maturidade da sociedade civil, perante a actual conjuntura nacional.

Tigran Yegavian 01 05 2018 01/05/2018 ouvir

Nikol Pachinian não obteve o número suficiente de votos para ser eleito , pelo parlamento, Primeiro-ministro da Arménia. E isto uma vez que lhe faltou o apoio de sectores do partido Republicano, no poder, e do qual é membro o antigo Presidente Serge Sarkissian.

Durante dez anos chefe de Estado da Arménia, Sarkissian está na origem da actual crise política arménia, ao ter sido eleito Primeiro-ministro no dia 13 de Abril, graças à maioria parlamentar do seu partido, que dispõe de 58 dos 105 assentos da assembleia.

Acusado de querer manter-se indefinidamente no poder, Serge Sarkissian, tal desencadeou a vaga de manifestações liderada por Nikol Pachinian.

Este último tinha lançado uma advertência ao Partido Republicano, em caso de o partido no poder, recorrer a tácticas para impedir a sua eleição.

A derrota de Pachinian no parlamento, prolonga a crise política arménia e mergulha o país na incerteza até a organização de eleições antecipadas.

Pachinian lançou um apelo a greve geral e ao bloqueio dos meios de transporte em todo o país.

Karen Karapetian vai continuar a assumir interinamente as funções de Primeiro-ministro até que um novo chefe de governo arménio seja eleito pelo parlamento, como sublinhou igualmente o analista Tigran Yegavian.

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